CNA debate <br>agricultura familiar
Mais de cem pessoas – agricultores e amigos da agricultura familiar e do mundo rural – participaram, no dia 26, na Escola Superior Agrária de Coimbra (ESAC), num encontro/convívio para assinalar os 38 anos da Confederação Nacional da Agricultura (CNA).
Depois das saudações do presidente da ESAC, João Noronha, e da direcção na CNA, Pedro Santos, interveio Berta Santos, presidente da AVIDOURO e da direcção da CNA, que, sob o lema «CNA e filiadas – Sempre com os agricultores», trouxe à memória dos presentes o percurso de proposta e de luta da Confederação. Lembrou ainda as dificuldades que atravessam os agricultores e as suas organizações, tendo manifestado esperança que o actual ministro da Agricultura, das Florestas e Desenvolvimento Rural, Capoulas Santos, presente no debate, e o Governo tenham vontade política para mudar, para melhor, as políticas agrícolas e de mercados que têm arruinado a agricultura familiar e o mundo rural português.
De seguida, Fátima Oliveira, professora da ESAC, falou do conceito «Agricultura Familiar», e Alfredo Campos, da direcção da CNA, da «Carta da Agricultura Familiar Portuguesa» e da proposta para o «Estatuto da Agricultura Familiar Portuguesa», documentos que a Confederação aprovou no seu último Congresso e que quer e está a discutir com o Executivo PS, para que este assuma políticas públicas adequadas às especificidades da agricultura familiar por forma a travar a sua destruição.
Testemunhos
Numa altura que continua a ser de provações, da plateia saíram testemunhos de agricultores que reconheceram a importância da CNA e das suas filiadas na defesa e na luta por melhores condições para a agricultura familiar e para o mundo rural.
Também não foi esquecida a grave situação por que estão a passar os produtores de leite e carne, dificuldades criadas sobretudo pela ditadura comercial imposta pela grande distribuição internacional e pelas grandes superfícies comerciais que esmagam os preços à produção. Neste sentido, exigiu-se do Governo medidas no sentido de regular e fiscalizar a actividade comercial dos hipermercados e combater a especulação.
Por seu lado, Capoulas Santos aproveitou a ocasião para anunciar medidas que vão de encontro com algumas reivindicações da CNA, tendo assegurado «o apoio mínimo de 500 euros aos pequenos agricultores, no âmbito das ajudas da PAC» e a possibilidade «desse valor subir para 600 euros ainda este ano». Deu ainda a conhecer a «criação de um tecto máximo de 300 mil euros para as ajudas aos grande agricultores», que recebem grande parte dos apoios.
Nesta iniciativa participaram, entre outros convidados, deputados dos grupos parlamentares do PCP e do PS, o presidente da Comissão de Agricultura e Mar da Assembleia da República, os ex-gestores dos programas AGRO e PRODER, a directora regional de Agricultura e Pescas do Centro, representantes da AJAP e da CONFAGRI, da Federação «Minha Terra», da Plataforma Transgénicos Fora, do ISCAC e da ESAC.
O encontro terminou com um almoço convívio e de confraternização na cantina da ESAC.